segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

9 - Ciúmes

Ana estava no seu novo quarto, já estava deitada na cama e estava pensando na informação que obtivera hoje. D. Silvia só se envolvia com mulheres. Jamais poderia imaginar, mas saber disso a deixou profundamente mexida. E ela não acreditava no amor. Poxa, o que será que aconteceu para ela pensar dessa forma tão fria? Ana pensava e não conseguia imaginar uma resposta, já que para si o amor era algo sublime, essencial ao ser humano. E D. Silvia, pelo que Jaime dissera, constantemente estava com uma mulher diferente. Nossa, se apaixonar por uma mulher assim era sofrimento na certa, pois jamais seria correspondida. Pelo jeito se envolvia com as mulheres, usava-as e depois quando enjoava delas, descartava-as. Caraca, que mulher fria! Pensou Ana.

Já estava trabalhando há duas semanas e como Jaime tinha lhe dito, algumas noites D. Silvia saía sozinha, dispensava seu serviço. Onde será que ela ia? Eita curiosidade! D. Ana, você não tem nada a ver com isso. Repreendeu-se. D. Silvia a avisara de que iriam à praia neste fim de semana. E a praia que ela queria ir ficava a cem quilômetros de Curitiba. Ainda não fora até as fazendas, mas fora informada de que ela ia em cada uma, e eram três, pelo menos uma vez por mês.

Silvia resolveu ir à praia na sexta-feira à noite mesmo. Carmem iria com ela. Precisava se divertir um pouco longe da cidade. Estava precisando se desligar da sua rotina de trabalho. Adorava o mar. Estar perto dele dava-lhe uma imensa sensação de paz. Quando entrou no carro avisou Ana de que iriam passar na casa de uma amiga que ia também, e deu-lhe o endereço.

Quando chegaram à casa de Carmem, Ana abriu a porta para que ela entrasse e na seqüência, Carmem deu um beijo na boca de Silvia. Ana viu e sentiu como se tivesse sofrido uma punhalada no coração. Meu deus, essa mulher é a namorada dela! E por que esta dor no meu peito, eu não tenho nada a ver com isto. Pensou aflita. Entrou no carro e pegou a estrada em direção à praia.

Pelo retrovisor, que evitava ao máximo olhar, percebia a troca de carinhos entre as duas, falavam baixinho, mas Ana conseguiu entender muita coisa. Por mais que tenha sido avisada, por mais que imaginou que um dia a veria com alguma mulher. Nada, nada preparou-lhe para a dor que sentia em seu peito. Dor esta que não conseguia compreender porque sentia. E essa sensação a estava deixando agoniada.

Chegaram à casa de praia e Ana descarregou as malas. O caseiro, seu Pedro, veio receber D. Silvia e sua convidada. Elas entraram na casa principal e Ana levou as malas para o quarto que Silvia indicara-lhe. Saiu da casa e foi para a casa do caseiro. Era ali que iria ficar pelo tempo que D. Silvia estivesse na praia. Dissera que estava dispensada do serviço e que aproveitasse a praia, pois somente precisaria de seu serviço para o retorno.

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