segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

26 - Desespero

Silvia chega desesperada ao hospital. Célia está no hospital esperando por mais informações acerca do estado de Ana.

- Célia, como ela está? Silvia está quase desabando de tanto medo de perder Ana.

- Ainda não sei detalhes, D. Silvia, mas parece que ela está correndo risco de vida.

- Não. Isso não pode estar acontecendo. Silvia fala e desaba num choro desesperado.

Célia, sem entender a reação de Silvia, a ampara em seus braços. Silvia pensava que não poderia perder seu amor. Não podia perdê-la.

Depois de algum tempo e já estando mais calma, o médico aparece e vem falar com elas. Silvia queria saber detalhes de como Ana estava.

- Como ela está doutor? Silvia perguntou preocupada.

- Posso dizer que foi um milagre ela ter sobrevivido. Ela teve fratura exposta em uma das pernas e teve uma batida muito forte na cabeça. Tivemos que induzi-la ao coma, pois sua cabeça está com uma pressão muito alta. Ela teve sorte de não atingir nenhum órgão vital.

- Ela está em coma? Silvia perguntou ainda mais desesperada.

- Sim, teremos que mantê-la assim até a pressão da cabeça diminuir, mas isso poderá levar alguns dias.

- Posso vê-la?

- Não seria conveniente vê-la agora, pois ela está na UTI.

- Por favor, doutor. Só uma olhada. Silvia suplica-lhe.

- Ok, vou com você, mas deverá ser uma visita rápida. Um minuto no máximo.

- Ok.

O médico levou Silvia até a sala, vestiu uma roupa especial e foi ver Ana. Ao vê-la sentiu uma dor imensa no peito. Não queria que seu amor estivesse naquele estado. Queria vê-la sorrindo novamente.

Célia avisou a mãe de Ana, que veio correndo ao hospital. Estava desesperada com o que aconteceu com sua filha. Conheceu Silvia e na dor, ambas ficaram amigas.

Silvia não arredou pé do hospital um único dia. Célia tentou argumentar que não seria necessário ficar ali, já que Ana estava na UTI e estava sendo bem assistida. Mas Silvia era teimosa. Ficou num hotel próximo ao hospital, mas só ia quando o cansaço era insuportável. Já era o oitavo dia. Silvia emagreceu, estava com olheiras. Não perdia as esperanças da melhora de Ana. O médico dera-lhe ótimas notícias e provavelmente em dois dias Ana sairia do coma induzido. Ela estava se recuperando bem e quando acordasse seria transferida para um quarto no dia seguinte.

Finalmente acabara o coma induzido, agora era esperar Ana acordar e a cada instante Silvia rezava pedindo pela sua melhora. Enfim, Ana acordou. Mas logo voltou a dormir. Silvia estava felicíssima. Depois de quatro horas, Ana acordou novamente e dessa vez ficou um bom tempo acordada. Foi permitida a entrada de Silvia. Chegou perto da cama e olhou Ana com todo o amor que sentia. Ana tentou esboçar um sorriso e Silvia sentiu seu coração se aquecer.

- Quer nos matar de susto D. Ana? Falou sorrindo.

- Ô...

- Estamos torcendo por sua melhora. Sua mãe pediu que lhe desse um beijo quando acordasse. Se aproximou e deu um suave beijo na bochecha de Ana.

- Co... como... e... ela está?

- Ela está bem. Só preocupada contigo. Não fale, tá. Fique quietinha. Silvia faz um carinho no rosto de Ana. Seu desejo era dar um beijo na boca de Ana, mas teria tempo para fazer isso.

Ana a olha com um amor imenso. Ela está com a aparência cansada, com olheiras. Ana se lembra do acidente. Achou que fosse morrer. Tudo aconteceu muito rápido. Tentou desviar o carro, mas não conseguiu. Uma lágrima escorre pelo seu rosto.

- Shhhh... meu amor, não chore. Está tudo bem. Silvia fala carinhosamente.

Ana olha para Silvia, perde-se no verde do seu olhar e não consegue acreditar no que ouviu. Silvia a chamou de “meu amor”. Como queria que isso fosse verdade, mas mesmo assim sentiu seu coração aquecido. Voltou a dormir novamente. Silvia após vários dias, enfim, consegue dormir uma noite inteira. Dorme por doze horas seguidas.

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