Ana estava em sua casa. Estava preocupada, pois estava desempregada há dois meses e as contas estavam batendo na porta. Tinha uma reserva com a qual agüentaria mais seis meses, mas não estava tranqüila. Precisava arrumar outro emprego logo. Distribuíra seu currículo para diversas empresas de recrutamento e também o colocara em sites especializados e agora estava naquele vácuo, esperando alguma coisa surgir.
Seu último emprego tinha sido como motorista particular. Nada convencional, admitia, mas nunca fora empecilho o fato de ser mulher. Trabalhou seis anos para o Sr. Antonio, um empresário, mas viera a falecer e a família não teve mais interesse em seu serviço e por isso fora dispensada. Mas tinha ótimas referências e esperava que com elas não ficasse muito tempo desempregada.
Tinha 34 anos e fez faculdade de ciências contábeis, mas nunca conseguiu trabalhar na área. Até procurou, mas nunca encontrou. Mas sentia-se realizada com o trabalho que escolhera. Até hoje era o que melhor remunerava-lhe. Morava com sua mãe, D. Josefa. Eram só as duas. Nunca conheceu seu pai. Sua mãe engravidara quando tinha 24 anos e o cara deu no pé. Nunca apareceu, nem para conhecê-la. Tivera uma vida muito regrada, sem luxos. Sua mãe a criou com muita dificuldade, mas nunca deixara-lhe faltar nada. Agora estava aposentada.
- Pensando na vida, minha filha? Sua mãe perguntou ao vê-la olhando para o nada.
- É, mãe. Tô preocupada. Preciso arrumar logo um trabalho. Respondeu, olhando para sua mãe.
- Porque você não faz outra coisa. Esse seu trabalho não é pra mulher, não. Sua mãe comenta.
- Mãe! Poxa, você devia me apoiar e não falar assim. Ana falou indignada.
- Desculpe, minha filha. Mas é tão raro ver uma mulher como motorista particular.
- Eu sei mãe, mas tenho fé que vou arrumar um emprego e logo.
- Que Deus te ajude, minha filha. Disse e saiu para a cozinha.
Ana continuou perdida em seus pensamentos. Terminara recentemente seu relacionamento com Cássia. Não foi fácil. Cássia não aceitava o rompimento e a vivia perseguindo, tentando reatar o relacionamento. Mas Ana o sentira desgastado e não dava para continuar assim, por isso pusera um ponto final. Era extremamente romântica. Quando se apaixonava se entregava de corpo e alma e por ser assim quebrou a cara algumas vezes. Mas sabia que ainda encontraria a mulher dos seus sonhos, que a faria suspirar de amor. Riu deste pensamento.
terça-feira, 1 de janeiro de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário