Ana ficou boquiaberta diante da declaração de Silvia. Não esperava ouvir isso. Não assim, direto. Seu coração se acelera, seu corpo reage instantaneamente à declaração de Silvia. Silvia a olha com carinho e pega em sua mão.
- Eu... eu... Ana não sabe o que dizer.
- Eu te amo, Ana. Descobri isso quando estava na praia ainda. Estava tão feliz esperando você me buscar e quando... quando recebi a notícia do acidente... eu achei que fosse morrer de tanto desespero. Desespero pela possibilidade de te perder. Silvia falou olhando aqueles olhos castanhos que tanto amava.
Ana continua muda, sem saber o que dizer. Estava sentindo uma felicidade imensa. Seu sonho era real. Silvia a amava. Deveria acreditar? Deveria se entregar assim, fácil? Pensava.
- Ana, sei que é difícil para você acreditar, mas é verdade. Descobri que te amo, e te peço, dê-nos uma chance de viver este amor, por favor? Silvia suplica-lhe com as lágrimas escorrendo livremente pelo seu rosto.
Ana fica observando a mulher a sua frente. Jamais esperava ver e ouvir isso, mas precisava pensar sobre isso.
- Silvia, eu... eu preciso pensar. Não sei o que dizer. Ana diz quase chorando também. Seria tão fácil dizer “sim”, mas e o medo de ser apenas mais uma diversão dela, de que ela esteja confundindo as coisas.
- Entendo. Deixarei você pensando. Silvia diz triste e entende que não será tão fácil como pensou que seria.
Silvia faz um carinho no rosto de Ana, a olha com carinho, dá um pequeno sorriso, se vira e sai do quarto com a tristeza pesando-lhe na alma. O que você esperava? Que ela pulasse em seu pescoço e dissesse que a amava também? Silvia se perguntava. Sentou num banco no corredor e ficou ali, chorando. Não conseguia mais se imaginar viver sem Ana. Ela tornou-se a razão do seu viver. E se ela não lhe quisesse, o que faria? Como sobreviveria a isso? O que eu faço da minha vida sem você, Ana? O que eu faço?
Não retornou mais ao quarto de Ana nesse dia. Foi para o hotel. Não conseguiu dormir nada a noite. A possibilidade de ficar sem Ana a desesperava. Jamais imaginou que pudesse ficar assim, de quatro, por alguém, mas estava e descobriu que amar podia ser sofrimento. Muito sofrimento. Não queria sofrer, mas quantas mulheres fizera sofrer assim. Lembrou-se do que Carmem dissera. É, estava apaixonadíssima e corria o risco de não viver esse amor. Precisava ver Ana. Precisava estar perto dela. Era vital.
De manhã voltou para o hospital. Ao chegar na porta do quarto de Ana, seu coração bate acelerado. Não queria pressioná-la, só queria vê-la. Ana dormia serenamente. Sentou na poltrona e ficou observando-a dormir. Novamente viu-se perdida em seus pensamentos. Era um looping. Como viver sem Ana? Como viver sem o sorriso, sem a alegria dela? Como viver sem o amor dela? Como?
Ana acorda. Abre os olhos lentamente e vê Silvia. Seu coração fica feliz. Não a viu mais ontem. Ainda não se decidira, o medo persistia. Como acreditar em alguém que não acreditava no amor? Não estaria confundindo as coisas? Tinha medo de se entregar e descobrir depois que não era amor, mas apenas obsessão por parte dela. Mas ao se imaginar ficar longe dela ficava angustiada. Precisava se decidir logo. Silvia a vê acordada.
- Bom dia, Ana. Diz sorrindo e morrendo de vontade de beijá-la.
- Bom dia. D. Silvia.
- Você está bem?
- Estou sim, mas a perna continua incomodando. Ana diz fazendo carinha de dor.
- Logo você estará nova em folha. Silvia diz sorrindo.
- Espero que sim.
Pela primeira vez Silvia não sabe o que dizer. Queria abraçar e beijar Ana. Mas não podia. Olha para seus amados olhos castanhos e sorri. Ana lhe sorri de volta. Nesse instante alguém chega na porta, que está aberta, e dá leves batidas, se anunciando.
- Olá, bom dia pra vocês duas.
- Cássia. Que bom te ver. Ana diz sorrindo ao ver a amiga.
- Estava te devendo a visita. Como você está? Pergunta e chega até Ana dando beijos em suas bochechas.
Silvia a reconhece como sendo a mulher que estava no shopping com Ana. Sente um ciúme louco e resolve sair do quarto sem dizer nada. Ana percebe a reação de Silvia e fica intrigada. Depois pensaria sobre isso. Primeiro curtiria a visita de Cássia.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
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