Mais uma semana se passou e Silvia sentia aflorar cada vez mais forte a vontade de estar novamente com Ana. Achou que estar com ela apenas uma vez bastaria para saciar o seu desejo. Mas não. A desejava mais que antes. Estava ficando atormentada com isso. Olhava para Ana e percebia que para ela estava superada aquela noite. Precisava estar com ela de novo e faria isso hoje à noite. Iria ao quarto dela. Sentiu-se feliz com essa idéia e passou o dia assim, alegre, ante à expectativa de passar mais uma noite com Ana.
Ana tentava a todo custo controlar seus sentimentos. Procurava agir como se nada tivesse acontecido, mas só Deus sabia o quanto isso a estava machucando. Todas as noites acabava chorando, pois não conseguia evitar a tristeza que invadia seu coração, sua alma. Se não precisasse tanto do emprego já teria pedido demissão, pois era uma tortura estar perto de Silvia e não tê-la em seus braços. Por que tinha que se apaixonar por uma mulher com coração de pedra? Por quê? Por que tinha que sofrer desta forma?
Era noite e Ana já estava no seu quarto. Estava deitada, tentava em vão ler um livro. Ouve batidas suaves na porta e seu corpo estremece. Ficou com receio de abrir. E se fosse Silvia? O que faria? Levanta-se e vai até a porta, abre e seu coração quase sai pela boca. Era ela.
- Oi, Ana. Posso entrar? Silvia pede com um sorriso encantador.
- Oi, D. Silvia. Entre, por favor. Silvia entra e Ana fecha a porta e sente seu corpo trêmulo. Olha para Silvia e fica esperando ela falar.
Silvia vai se aproximando de Ana, que vai recuando até sentir a parede em suas costas. Silvia cola nela e dá um beijo delicioso na boca de Ana. Ana pega de surpresa, corresponde ao beijo, mas não abraça Silvia. Interrompe o beijo e desfaz o contato saindo do lugar.
- Por que isso, Silvia? Pergunta aflita.
- Oras, porque eu quero você. Silvia diz tentando novamente se aproximar de Ana, que se afasta.
- Era apenas uma noite, lembra? Ana diz isto sentindo seu coração se espatifar. O que mais queria era estar com ela de novo, mas não assim, por diversão.
- Sim, eu me lembro, mas quero você mais vezes. E mais uma vez tenta se aproximar de Ana.
- Eu não quero mais. Ana diz secamente olhando Silvia nos olhos. Como foi dolorido dizer isto.
- O quê? Está me rejeitando? Silvia pergunta não acreditando no que está ouvindo.
- Não quero me envolver com você. Apenas isso. Não acho correto. Disse justificando-se.
Silvia a encara, incrédula. Fora rejeitada pela segunda vez e pela mesma mulher. E isto estava doendo-lhe na alma. Sente uma vontade enorme de chorar, mas não faria isto na frente de Ana. Nunca! Virou-se e saiu do quarto batendo a porta. Não conseguiu conter o pranto e foi em direção ao seu quarto. Sentiu-se despedaçada, sua vontade era de morrer. Chorou muito. Tomou uma decisão. Estava tomada pela raiva, pela dor da rejeição. Se Ana não a queria, ia mostrar a ela que sempre tinha quem a queria.
terça-feira, 15 de janeiro de 2008
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