Silvia, na semana seguinte, sai novamente com outra mulher. Ela própria dirigiu o carro desta vez. A noite foi um fiasco. Não conseguiu se sentir à vontade com a mulher e não quis fantasiar que estava com Ana. Nunca, em toda sua vida, se recusara a transar. O que estava acontecendo com ela? Isso não era normal. Sua única vontade, seu único pensamento era estar com Ana.
Era dia de folga de Ana e novamente saía com Cássia. Foram ao cinema de novo. Cássia dava indiretas de que queria retomar o relacionamento, mas Ana sempre saía pela tangente. Não queria. Chega de problemas. Tinham visto o filme e estavam na praça de alimentação. Cássia fazia um carinho na mão de Ana. Ana deixava, com isso não se importava. Estavam conversando sobre várias coisas. E riam descontraídas.
Silvia, nesse dia, resolve passear. Vai ao shopping para ver vitrines e comer uma bobagem. Está sozinha. Sente um vazio imenso no coração. Nunca se sentiu assim. Escolhe uma mesa e assim que se senta vê Ana. Seu coração se acelera. Ela está com outra mulher e parecem estar se divertindo, pois riem muito. Silvia vê que a outra faz carinhos na mão de Ana. Sente um golpe no peito. Sente-se sem ar. Percebe que nada sabe da vida de Ana fora do trabalho. Devia ser a namorada dela. Sente uma tristeza imensa invadir-lhe o peito. Imediatamente se levanta e vai embora. Chegando em casa, vai para seu quarto, deita em sua cama e chora muito. Acaba adormecendo.
Na manhã seguinte, Ana está esperando-a, como sempre. Silvia se aproxima do carro, cumprimenta-a e entra. Seu olhar está triste e não passa despercebido por Ana, que fica preocupada.
Silvia está em sua sala e Célia liga, informando-lhe que numa consulta a sites especializados encontrou por acaso o currículo de Ana. E era atual. Silvia imediatamente chama Ana, que entra em sua sala.
- Mandou-me chamar?
- Sim, Ana. Sente-se, por favor. Ana senta-se.
- Você está satisfeita com o seu emprego? Silvia pergunta direta.
- Sim, estou. Ana responde, não entendendo o porquê da pergunta.
- Tem algum problema que eu não saiba?
- Não, nenhum problema. Ana responde e pensa: “Exceto pelo fato de eu estar apaixonada por você.”
- Então por que você está procurando outro emprego, Ana? Pergunta olhando para aquele olhar castanho que tanto adorava.
- Bom... eu... eu realmente cheguei a pensar em sair do emprego. Ana responde sentindo-se desconfortável.
- Ana, você é uma excelente funcionária. Não tenho nenhuma queixa quanto ao seu serviço. Não quero que você saia. Disse encarando Ana, só a idéia de ficar longe de Ana a deixava desesperada. – Aumentarei o seu salário em cinqüenta por cento. Não saia, por favor.
Ana fica sem ação ao ouvir isso. Ela não queria que saísse e ainda aumentaria o seu salário. Ficou boquiaberta.
- D. Silvia... eu... nem sei o que dizer.
- Apenas que você fica.
- Sim, ficarei. Não sairei.
- Obrigada, Ana. Pode ir.
Ana se levanta e sai da sala. Não consegue acreditar no que aconteceu. D. Silvia não queria que ela saísse. Nossa, chegara a imaginar sendo demitida algumas vezes. E essa história de aumentar o salário. Caraca, já ganhava bem, e agora então, mais ainda.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
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